segunda-feira, 12 de maio de 2008

Existe alguma diferença ou a função dos pictogramas no mundo real e dos ícones no mundo virtual são as mesmas? Se tomarmos o virtual como o mundo abstrato da mente humana, incluindo, entre outras, o ciberespaço, ícones só existem no plano virtual. Como objetos reais, não passam de um amontoado de rabiscos ou de pontos luminosos num monitor. O ícone é sempre uma abstração, pois funciona como uma representação de um objeto outro que não a própria representação. O virtual e o ícone já existiam muito antes da Internet, portanto, nesse novo meio, continuam tendo a mesma função. Falando especificamente da função dos ícones em interfaces digitais, você acredita que o seu objetivo esteja mais ligado à memorização de determinadas tarefas ou a estética gráfica? Os primeiros ícones surgiram como metáforas para facilitar o entendimento do funcionamento dos sistemas, como no exemplo da pasta. A estratégia deu tão certo que as pessoas se lembravam mais da forma do ícone do que do nome do comando que ele representava. Logo, os ícones se tornaram a cara do software, desempenhando papel fundamental na formação de sua própria identidade. Foi a partir daí que o valor estético dos ícones começou a ser explorado em softwares. Por influência da linguagem visual das interfaces de softwares, as primeiras páginas Web incluíam ícones sem ganho funcional, apenas para parecer que a página era mais “interativa”. Esses ícones não tinham a função de facilitar a memorização nem o aprendizado; seu único objetivo era o ganho estético. Com o ingresso massivo de designers na criação de interfaces, o que parecia inconciliável se tornou indissociável. O Design mostrou que valor estético e valor funcional não precisavam competir entre si.

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